O hábito de ir a museus se cria desde cedo

texto meu na Revista Espaço Aberto (veja aqui)

Museus da USP trazem exposições e atividades durante as férias e buscam se aproximar do público jovem

Arquivo Jornal USP

A brinquedoteca do Labrinq

Ir a museus é um hábito cultural que se desenvolve desde cedo. Estar em contato com outros universos, contextos históricos e culturas ajuda a aguçar a imaginação e os horizontes de um jovem. “Buscamos incentivar o olhar reflexivo e o hábito de frequentar espaços museológicos na criança e no adolescente. Trazer os jovens para cá não é uma garantia, mas a gente procura valorizar esses espaços como de envolvimento intelectual da criança”, afirma Daniel Ferraz, coordenador do Museu da Educação e do Brinquedo, na Faculdade de Educação.

Para essas férias, a Universidade traz algumas exposições e atividades específicas para jovens e crianças. O Museu de Arqueologia e Etnologia, por exemplo, tem sua tradicional programação de férias, com atividades educativas e oficinas para crianças. Outra boa pedida para os jovens é o Museu da Educação e do Brinquedo, onde podem aprender sobre jogos e brincadeiras diferentes e o contexto em que surgiram. Por fim, a Estação Ciência é sempre uma boa opção, com diversas mostras, exposições e atividades interativas.

Índios, brinquedos e ciência

No Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE), a educadora Judith Mader Elazari já se prepara para uma atividade que ela ajuda a organizar faz cerca de 20 anos, o Férias no MAE. “A gente já tem uma tradição de muitos anos. Nas férias realizamos atividades para crianças”, conta. “Essa atividade começou com filhos de funcionários e foi crescendo com os netos, vizinhos, primos e sobrinhos de funcionários aqui do museu. Com o tempo, abrimos para o público da USP em geral. Hoje, qualquer criança é bem-vinda”, orgulha-se a educadora.

As atividades são variadas ao longo dos anos, sempre mantendo uma oficina, onde as crianças criam algo e, geralmente, levam para casa. “A oficina de simulação de escavação é a que tem procura maior. As crianças vão para uma área específica que montamos aqui e, assim como arqueólogos, escavam objetos que haviam estudado e entendido o significado”, explica. As atividades são para crianças de 6 a 11 anos, sempre gratuitas. “Fazemos com no máximo 20 crianças. É tudo gratuito e elas ganham um lanche”, conta Judith.
A educadora diz que as atividades são um sucesso entre os jovens: “Eles adoram, se sentem bem. Não se conhecem, mas se socializam. Trabalham todos muito bem, muito alegres. Além de eles aprenderem, é bastante lúdico”.

Para o futuro, Judith pensa em estudar e escrever um artigo sobre o papel dessas atividades na educação e na vida cultural das crianças. “Infelizmente a gente ainda não fez estatística de crianças que voltam para o museu, mas eu gostaria de saber como isso ficou. Sabemos que tem pessoas que passam a adorar arqueologia”, conta.

“Esse é um público espontâneo, que não veio com as escolas. A essas atividades de férias, quem veio, veio porque quis. Então é outra forma de se relacionar com o museu. O nosso objetivo com isso foi se aproximar dessas crianças. As pessoas não têm o hábito de vir a museus”, explica Judith.

Criança em atividade no MAE

“A ideia é ter um espaço do lúdico, mas também um espaço de reflexão”, relata Ferraz. No Museu da Educação e do Brinquedo a monitoria divide as crianças (de 6 a 10 anos) e os adolescentes (de 10 a 17 anos) em grupos nos quais pode-se explorar o interesse de cada faixa etária.

“Com as crianças há uma sistemática de diálogo e estimulação de interesses”, conta o coordenador. No Museu, os brinquedos são apenas para exposição, mas ao lado existe a Brinquedoteca do Labrimp (Laboratório de Brinquedos e Materiais Pedagógicos), onde as crianças podem se divertir com brinquedos e jogos separados em “cantinhos” específicos, como cantinho da leitura, cantinho dos transportes etc. “Para o futuro, esperamos integrar as duas áreas, do museu e da brinquedoteca. Hoje há uma interação com o espaço e com a criatividade. Mostramos as vitrines com brinquedos antigos e precursores daqueles com os quais as crianças brincam hoje”, diz Daniel Ferraz.

No grupo dos adolescentes, busca-se mostrar como o brinquedo e a brincadeira podem ser coisas que variam muito dependendo de diversos fatores. “O monitor fala do contexto do surgimento daquele jogo, do ideário por traz dele. Fazemos uma interface com o conteúdo escolar, com a história. O adolescente entende os valores incorporados àquilo”, conta Ferraz. “No caso do jogo Banco Imobiliário, por exemplo, mostramos como aquilo foi criado em um contexto capitalista pré-crise de 1929 e como o próprio objetivo do jogo mostra isso: não só o vencedor tem de ser o mais rico, com mais propriedades, mas tem de levar os outros jogadores à falência”, explica.

Francisco Emolo

A educadora Judith Mader Elazari

Outro museu que traz atividades lúdicas e possui um forte apelo às crianças e adolescentes é a Estação Ciência, na Lapa. Segundo a diretora da Estação, professora Roseli de Deus Lopes, um dos desafios é justamente saber lidar com as diferentes faixas etárias e diferenças entre os visitantes. “Procuramos enfrentar esse desafio de diversas formas, inclusive a variedade de recursos usados na exposição. Ou seja, as exposições contêm desde elementos mais lúdicos até textos mais profundos. Os monitores também desempenham papel importante”, conta.

Para Roseli, o museu tem de se relacionar com os jovens de maneira que eles se interessem pelo que vêem e queriam ver mais. A professora conclui que “o objetivo é despertar a curiosidade e o interesse, para que, a partir daí, o visitante queira saber mais, pesquisar mais, observar o mundo com um olhar mais aguçado. Não queremos que o nosso visitante saia com respostas, mas sim com mais dúvidas”.
Os demais museus da Universidade também ficam abertos durante as férias, a partir de 4 de janeiro.

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